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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Aceitamos Doações/troca de Engradado de Cerveja


Temos atualmente um gargalo na nossa produção! Juntando tudo temos 6 engradados ocupados de cerveja, e precisamos de mais alguns para continuar a produção... já vai ser difícil engarrafar a nossa Brown Ale que está maturando!
Por isto estou com uma promoção camarada!
Doe um engradado com 24 garrafas vazias de 600ml ou um engradado de 12 garrafas de 1 Litro e Ganhe um Kit Com 3 cervejas diferentes da RecBrew + uma participação na próxima brassagem aberta com direito a cerveja a vontade!

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Adicionando frutas numa cerveja.

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Prezados,

Fiz essa tradução livre do texto publicado em uma revista especializada americana. Lembrem-se que o texto é voltado para o público americano, a realidade deles é diferente da nossa. Por exemplo, as frutas comuns lá são framboesa, blackberry, que acho que se chama cassis aqui no Brasil, amoras, cerejas... As frutas consideradas exóticas são as que encontramos normalmente no Brasil, principalmente aqui no NE, como acerola, açaí entre outras.

"FAZENDO CERVEJA COM FRUTAS: CERVEJA DE TRIGO E MAIS
Por Dave Mentus
Tradução livre

Cervejas com frutas tem sido feitas por centenas de anos na época antes dos lúpulos e foram muito famosas por dar saber azedo as cervejas belgas fermentadas espontaneamente. Durante muito tempo bebidas fermentadas com frutas eram encontradas em poucas áreas geográficas. Entretanto, nos últimos 20 anos elas têm se tornado muito popular em cervejarias artesanais e entre os cervejeiros caseiros nos EUA.

As cervejas com frutas se tornaram um estilo popular nos EUA durante os anos 80 e 90, com mirtilo ou cassis (blueberry), framboesa (raspberry), cereja (cherry) e damasco (apricot), todas no estila wheat americano, sendo hoje ainda mais prevalentes nas cervejarias. As tendência agora são as de frutas exóticas e tropicais como manga, abacaxi e maracujá nas cervejas de trigo. As frutas estão aparecendo até nas cervejas mais escuras como a Brown ale e a imperial stout com cereja, framboesa ou laranja. Desde que você não seja um Reinheitsgebot ferrenho, um cervejeiro bitolado nos livros, você pode usar frutas em qualquer cerveja que você quiser.

Na minha opinião, fazer cerveja com frutas deveria ser visto como uma habilidade a mais que o cervejeiro ganha na arte de confeccionar cervejas, e não como um artifício dirigido para o uso de uma essência ou extrato de fruta. Você deve considerar esse tipo de brassagem como um meio de aumentar e entender melhor os sabores das cervejas, como azedo, doce, torrado e amargo através da combinação complementar destes com os sabores das frutas.

Oito ano atrás eu me desafiei, como um cervejeiro profissional, a fazer a mais saborosa e exótica cerveja com fruta sem fronteiras para ingredientes, técnicas e métodos. Cerveja com fruta se tornou uma paixão para mim, desde a procura de novos ingredientes até a reação das pessoas que experimentam essa benção.

PLANEJANDO SUA CERVEJA COM FRUTA
Existem 3 coisas a serem consideradas para preparar uma cerveja com frutas: o estilo, a fruta e a intensidade. Você está visionando uma cerveja leve com frutas cítricas ou uma cerveja escura torrada com cereja? A cerveja vai ter um gosto suave de fruta, balanceado ou forte? Trace seus planos e tome notas das frutas que você escolher, como aparência, estação e efetividade. Ales e lagers escuras, com acentuação torrada e de caramelo precisam de mais frutas para combinar os sabores e a intensidades deste tipo de malte. Frutas adocicadas como framboesa, cereja e cassis (blueberry) em níveis razoáveis funcionam bem com ambos tipos de cerveja, escura e clara, enquanto sabores cítricos típicos da laranja, limão, lima e maracujá combinam bem com todas as tonalidades de dourado das ales e lagers. Frutas como pêra, maçã e banana complementa bem receitas leves, pouco lupuladas, mas requerem mais tempo para maturar, além de uma maior quantidade de frutas para que o sabor fique mais aparente no produto final.

Obter balanço e harmonia é importante quando se prepara cerveja com frutas. Isso fica ainda mais aparente depois de algumas brassagens. Eu tenho a tendência de agravar a filosofia de que “você sempre pode adicionar mais” depois de várias experiências tortas. Começando pelo lado do cuidado é o caminho mais seguro para atingir o sabor desejado sem incidentes. Entretanto, se você quer utilizar o dobro das frutas ou apenas um pouco a decisão da intensidade é sua.

Para selecionar as frutas eu sou da premissa de “usar os melhores ingredientes disponíveis” e começar pelos produtos orgânicos e frescos. Se as frutas frescas não estão disponíveis ou estão fora da estação, as congeladas, as pasteurizadas e os purês que contêm poucos preservativos e aditivos são uma alternativa muito boa.

Convencionalmente as frutas comercializadas estão sujeitas a um grande número de produtos químicos e agrotóxicos, desde pesticidas, a produtos sanitários para os processos de crescimento e preservação. Uma vez que esses não são os sabores e componentes que buscamos nas cervejas lave bem as frutas antes de usar.

As frutas com melhor custo benefício são as que estão na forma de purê e podem ser adquiridas nas lojas de cervejas artesanais e nos supermercados. Os benefícios do purê são que ele propicia uma superfície de contato maior com o mosto quando misturados, além de ser mais estável e, provavelmente, não conter bactérias. Os purês também oferecem a possibilidade de se utilizar frutas exóticas que normalmente não estariam disponíveis.

Outra opção é utilizar suco 100% da fruta. O suco funciona bem para dar sabor a cerveja, só precisa ser utilizado em quantidade maior do que o purê. As frutas cítricas funcionam bem em quantidades menores, já sucos de framboesa e cereja precisam de mais volume para dar sabor a sua cerveja.

A regra geral é utilizar entre 118 e 240 ml de suco de fruta por litro de cerveja. 100 gr. de purê por litro funciona bem com as frutas mais comuns, como cereja, framboesa e cassis (blackberry). As frutas cítricas necessitam de uma quantidade menor de purê por litro. Verifique a tabela para ver a quantidade sugerida de fruta para sua próxima cerveja.

FERRAMENTAS E TRUQUES DA TROCA
Algumas ferramentas são essenciais para utilização de frutas inteiras frescas na fabricação de cerveja, como saco contendores (aqueles feitos de filó), processadora de alimentos e um pilão ou um dispositivo de amassar (amassador de batata ou alho). A melhor técnica para se trabalhar com a fruta inteira é amassá-la com um pilão ou clicando em pulsar na processadora de alimentos.

É importante lembrar que todo o sumo produzido ao amassar ou processar a fruta inteira deve ser utilizado no mosto. É por este motivo que os sacos contendores são importantes. Eles devem ser utilizados para conter a polpa da fruta, faça a infusão da fruta como se fosse um “dry hopping” ou esprema a fruta amassada. Eu normalmente mantenho um arsenal de sacos contendores de vários tamanhos para as minhas necessidades de filtração, com a finalidade de manter a polpa da fruta, as suas fibras e caroços fora do mosto.

Muitos cervejeiros fervem as frutas inteiras na panela por aproximadamente 5 minutos antes de desligar o fogo. Essa técnica funciona bem para extrair e pasteurizar a fruta, mas fará com que a fruta fermente juntamente com o mosto. Entretanto essa técnica diminui o impacto que a fruta terá no sabor final da cerveja, além d o que, por muitas vezes, a frutose (açúcar da fruta) fermentada pode dar aromas e sabores imprevisíveis na cerveja. Pode também “preparar” qualquer pectinas no fruto, o que acarretará com que a cerveja fique turva permanentemente.

Depois de anos de experimentos, eu acredito firmemente na adição da fruta gelada pós fermentação, ou adicioná-la morna na fermentação secundária. Tenha em mente que depois de algum tempo a adição de frutas frescas no secundário pode ocasionar uma fermentação por bactéria ou o sabor de azedo. Mas você pode substituir a fruta fresca por frutas congeladas ou assépticas para eliminar esse risco. Na maioria da minhas cervejas com frutas, que são normalmente leves, um toque do sabor azedo ligado as bactérias das frutas adiciona um toque de complexidade e mistério. Eu acredito que tendo a cerveja base sido fermentada, resfriada e transferida para um keg ou balde fará com que você consiga um maior sabor da fruta sem incidente. Minha técnica preferida, ou adição de fruta, é no balde ou keg, antes da carbonatação, deixando a fruta em infusão na cerveja por pelo menos 2 semanas, balançando periodicamente. Quanto mais tempo você deixar a fruta em contato com a cerveja mais sabores serão transferidos para o produto final.

“Envelhecer” a cerveja com as frutas pode ser feito simplesmente ensacando (uma ou duas vezes) a polpa, adicionando o suco e adicionando CO2 no keg para servir a cerveja. Tenha mais segurança se você decidir guardar a cerveja com a polpa da fruta no keg produzindo uma tampa/filtro rígida no fundo do cano “out” de seu keg. Ou você pode tentar uma técnica de decantação mais lenta, através dos sacos de filó, para poder remover coisas indesejáveis entre a fermentação secundário e o produto final.

De qualquer maneira, usando os sacos de filó mais finos ajudarão a limpar a cerveja das frutas de semente menores ou mais fibrosas. Partículas de polpa de frutas na sua cerveja são aceitáveis pela maioria dos cervejeiros, mas para se ter uma melhor apresentação no produto final elas devem ser retiradas. A carbonatação deve ser próxima de média para alta. O acondicionamento em garrafas é o mais indicado para se atingir um produto melhor.

O momento em que sua cerveja está pronta depende de você. Se a cerveja for de trigo sem filtração é interessante “agitar” um pouco a cerveja para que as partículas se misturem, ou efetue uma decantação da cerveja para se livrar dos restos de polpa e sementes na garrafa. Copos longos, tipo flauta, ou os globos ajudam a apreciar os odores liberados pelas bolhas de carbonatação, além de dar um toque de classe na hora de servir.

Se sua cerveja for do tipo escura e doce você pode combiná-la com sobremesas. Cervejas mais claras combinam bem com saladas e peixes, elas também combinam com pratos picantes retirando o ardor da comida.

Sua cerveja também pode servir de ingrediente para adicionar no vinagrete, ou até mesmo para regar um prato no forno.

Fazer cerveja com frutas é uma grande habilidade para se ter no seu repertório. Sua família e amigos vão ficar encantados com o sabor refrescante deste tipo de cerveja. Tenho apenas mais uma viso a dar aos meus amigos cervejeiros: quando fizer cerveja com frutas faça muita! Uma boa cerveja de fruta é consumida duas vezes mais rápido do que outros tipos e quando você perceber seu amigo acabou de pegar o último copo.

Volume de frutas recomendados
Em purê (ml/litro)
Maracujá
30 a 60
Manga
60 a 120
Melancia
73 a 103
Kiwi
73 a 103
Cereja
120 a 147
Blackberry
120 a 147
Framboesa
120 a 147
Em suco (ml/litro)
Laranja
30 a 60
Limão
30 a 60
Lima
30 a 60
Abacaxi
30 a 60
Amora
60 a 120
Cereja
60 a 120

RECEITA
MARACUJÁ – MANGA WHEAT BEER
Ingredientes para 5.5 galões (cerca de 21 litros)
2kg de malte de trigo
1.6 Kg de malte 2 row (acredito que malte pilsen)
450 gr. de trigo em flocos ou trigo não maltado
225 gr de malte Munique (Munich malt)
225 gr de casca de arroz
14 gr. de Northern Brewer (8% folha) 60 min.
14 gr. de Mt. Hood (3.2% folha) 40 min.
14 gr de Cascade (6% folha) 5 min.
Fermento American Ale
475 gr. de purê de maracujá
950 gr. de purê de manga
OG 1.048 (75% de eficiência)
FG 1.008
IBU 17
Instruções
Faça uma brassagem de 60 min. a 66 graus. Fermente a 20 graus por duas semanas depois esfrie e faça a purga do fermento. Adicione os purês de maracujá e manga e deixe maturar por duas semanas. Balance ocasionalmente depois deixe sedimentar gelada, faça a purga do purê sedimentado e faça a carbonatação.
Variação com Melancia.
Faça a mesma receita acima, retirando os purês, e fermente por uma semana. Adicione um tubo de “White Labs lambic” e misture bem com 118 ml de purê de melancia. Deixe esta cerveja ficar num quarto escuro a temperatura ambiente por pelo menos de 3 – 6 meses. Resfrie para remover o fermento e adicione 1,2 litros de purê de melancia e deixe por 2 semanas. Balance ocasionalmente e depois deixe sedimentar no frio. Retire o purê sedimentado e faça a carbonatação."

Espero que tenham gostado.
Cheers

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Bebendo uma Weiss no Buraco da Gia

BURACO DA GIA - GOIANA-PE
2010




Litoral norte de Pernambuco, cidade de Goiana, terra de engenhos, maracatu e caldo de cana, lá se encontra um restaurante tradicional. Com 54 anos de atividade o Buraco da Gia tem nos frutos do mar a sua especialidade. Destaca-se o peixe ao molho de camarão, o camarão ao molho de tomate, o casquinho de caranguejo e o ensopado de aratu. 





Freqüento o restaurante antes mesmo de me entender por gente, minha cachorrinha era conhecida na casa. Lembro com certo saudosismo o tempo que ia com a família inteira para o restaurante e com o atendimento impecável do Senhor Lima e do Senhor João (in memoriam) comíamos e bebíamos o melhor do litoral, minha infância foi abastecida com muitos momentos de alegria e felicidade neste local. 

Além da atração culinária espetacular; o dono e Maître da casa, senhor Luiz Morais, ou apenas seu Luiz além de um Senhor muito educado e "boa praça" é um verdadeiro adestrador de Guaiamum. O dono do espetáculo é o bichano que com sua enorme patola segura um copo de cerveja para a clientela beber. 





Desta vez não teve jeito, levei uma Weiss para acompanhar a refeição e fiz questão de beber junto com seu Luiz e o crustáceo uma garrafa! Achei que seria maldade ele segurar o meu copo de 50 cl + espuma tradicional para uma cerveja do estilo, então adaptei para a taça que o bichano estava mais habituado, já que ele ainda estava em treinamento.

Brindo ao Buraco da Gia, para mim, um dos melhores restaurante do Mundo, pois ele corta a minha aldeia.

Pão e Cerveja

Prost!






Alberto Caeiro

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o tejo não é o rio que corre pela minha aldeia,
O Tejo tem grande navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso, porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.
Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.

domingo, 5 de setembro de 2010

Apresentação

Prezados,

É com muita satisfação que começo a colaborar com esse blog. Considero-me um Recifense bairrista, alvirubro apaixonado, advogado competente, metido a cervejeiro e cozinheiro. Gosto de tudo que a vida tem de melhor, boa companhia, boa música (o que na minha opinião significa Eric Clapton, BB King, Muddy Waters, Little Milton, Dire Straits, U2, Zappelin, Pink Floyd, Hendrix, Marley, Queen, Paralamas, Legião, Capital, Chico Science, Titãs entre muitos outros), um bom esporte (qualquer um), bons livros e uma boa cerveja.

Aprendi a apreciar cerveja durante os anos vividos em Phoenix, Arizona. Fui apresentado a uma diversidade de cores e sabores que nunca imaginava existir. Visitei e conheci mestres cervejeiros em algumas Breweries locais, como Four Peaks, BJ’s e Papago’s.

Um dos primeiros americanos que conheci ao chegar nos EUA, em 2002, foi o marido de uma brasileira. Dan e Liria Teff passaram a ser amigos queridos. Dan é um químico com PhD em Harvard. Com ele passei a aprender a manipular maltes, lúpulos e fermento para transformar este ingredientes no líquido maravilhoso que tanto gostamos.

O equipamento dele era semi profissional. Ele possui uma torre com três queimadores de alta pressão, em alturas diferentes, diversas panelas em aço inoxidável, 3 freezers que eram utilizados exclusivamente para cervejas (um deles ficava na sala e possui 3 torneiras para cervejas “on tap”) e o mais importante, o conhecimento adquirido no doutorado em química em Harvard.

As cervejas produzidas no quintal dos fundos da casa do Dan foram premiadas diversas vezes em concursos nacionais, chegando a ser produzidas em escala por fábricas no Arizona e na Califórnia. Sinto orgulho de tê-lo ajudado em algumas delas, fora que o aprendizado foi incrível. Ele sempre dizia que o sonho da vida dele é se aposentar e abrir uma pequena cervejaria bar em Santa Catarina, pelo tanto que aprendi com ele e sabendo da qualidade que ele tanto preza sei que seria um sucesso.

Ao retornar a Recife, depois de um ano trabalhando na China, descubro que meu vizinho é também cervejeiro (ele, por sinal, o criador deste blog que agora começo a colaborar). Até então acreditávamos ser os únicos em Recife, ele morando no 13° e eu no 14° andar do mesmo prédio. Hoje já conhecemos o Sérgio, outro cervejeiro que morou no Rio por um tempo, e sabemos da existência de outros dois, mas ainda não tivemos contato.

Acredito que desde que montamos nosso equipamento, em meados de junho, já preparamos umas 8 levas (Golden Ale, ESB, APA, Wit, weizen, Coffee Porter, Milk Stout e Brown Ale), algumas mais outras menos apreciadas, porém o importante é que estamos conhecendo nosso equipamento e ajustando-o para conseguir a melhor qualidade possível, que pode ser medida, num primeiro momento, pela ausência de qualquer infecção nas cervejas que preparamos até o momento. Das cervejas em si falaremos em posts próprios e com mais detalhes.

Nossa idéia é montar a Acerva PE, ou quem sabe NE, que englobaria, além de PE, os estados de SE, AL, PB e RN, visto o número de participantes ainda ser pequeno nesses estados. Nossa principal meta é divulgar a cultura cervejeira e apresentar aos amigos e interessados os estilos de cerveja apreciados e conhecidos mundialmente.

Para tanto criamos a marca Rec Brew, que vai ser a pioneira na ajuda dos novos mestres cervejeiros nesses estados, facilitando a compra de insumos e ajudando no estudo do assunto e na escolha do equipamento mais apropriado para cada realidade.

Portanto, fiquem a vontade para fazer perguntas, se apresentar, entrar em contato conosco, será um prazer conhecê-los.

Cheers!

domingo, 1 de agosto de 2010

Gastronomia, direito Humano Carta por Carlo Petrini

Vou reproduzir carta publicada no Le Monde pelo idealista do Movimento Slow Food Carlo Petrini traduzida pela colega Patrícia Andrade.

Pense Global, Beba Local!




Gastronomia, direito humano (artigo de Carlo Petrini)




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O fundador do movimento Slow Food sustenta: buscar uma alimentação prazerosa e em equilíbrio com a natureza é uma atitude política. O problema é que a velha tradição militante ainda despreza a complexidade e beleza do ato de comer. Veja o artigo publicado no Le Monde Diplomatique
Carlo Petrini 
Minha tese é simples: a gastronomia pertence ao domínio das ciências, da política e da cultura. Contrariamente ao que se acredita, ela pode constituir uma ferramenta política de afirmação das identidades culturais e um projeto virtuoso de confronto com a globalização em curso.
Porque não há nada de mau em apreciar os prazeres da boca, base fundamental do saber gastronômico e elemento essencial da qualidade de vida. O movimentoSlow Food foi criado "pela defesa e pelo o direito ao prazer de se alimentar-se. Alguns militantes, freqüentemente os de esquerda, ficam chocados com tais afirmações, que eles associam à "decadência burguesa" ou ao "epicurismo degenerado". Alguns esclarecimentos são, portanto, necessários.
Primeiro, quando falamos de gastronomia, não há apenas o prazer. Segundo seu principal teórico, Jean-Antelme Brillat-Savarin (1755-1826), autor de La Physiologie du Goût (1826), a gastronomia é o "conhecimento racional de tudo o que é relativo ao homem enquanto ser que se nutre". A partir desta simples definição, com um pequeno esforço intelectual, podemos compreender que a gastronomia reposiciona a nutrição no centro de interesse de todos.
Brillat-Savarin queria, recorrendo às causas e efeitos, fazer da arte culinária uma ciência exata. Ele se dedicou a uma análise bastante criteriosa do mecanismo do gosto. Analisou a magreza e a obesidade, a influência da dieta sobre o sono, a juventude, o envelhecimento e a morte.

Um saber interdisciplinar

A gastronomia nos conduz a um saber interdisciplinar e complexo. Interessar-se por "tudo aquilo que é relativo ao homem enquanto ser que se nutre" exige conhecimentos nos domínios da antropologia, da sociologia, da economia, a química, a agricultura, a ecologia, a medicina, os saberes tradicionais e as tecnologias modernas.
Tal corpus científico amplia enormemente o papel reservado aos gastrônomos. Ao mesmo tempo, aumenta o círculo de pessoas que deveriam estudá-lo para melhor governar, melhor confrontar os problemas atuais ou, ainda mais simplesmente, melhor compreender nosso mundo. Como defende Wendell Berry, o poeta-camponês do Kentucky, "comer é um ato agrícola".
Não por acaso que, o movimento altermundialista teve, desde as manifestações de Seattle, contra a Organização Mundial do Comércio (OMC) participação decisiva dos camponeses, e alguns de seus expoentes mais conhecidos (José Bové, Rafael Alegría, Evo Morales etc.) vêm do mundo rural. Também não é por acaso que a qualidade da alimentação industrializada suscita, em várias cidades, uma grande preocupação. E não é à toa que, segundo o relatório das Nações Unidas, Millenium Ecosystem Assestement (2005), a maioria dos problemas ambientais são conseqüência dos métodos aberrantes de produção de alimentos.
Mais da metade da população mundial vive ainda em zonas rurais. Se somarmos a eles as pessoas que cuidam da produção ou da elaboração da alimentação nas zonas urbanas, podemos nos arriscar a dizer que a maioria dos habitantes da Terra estão envolvidos no setor da alimentação. Infelizmente, a maioria das técnicas utilizadas não são sustentáveis. O desperdício é enorme, devido aos métodos intensivos e produtivistas, que consomem mais recursos do que produzem.
Em alguns países desenvolvidos, os agricultores e operários das fábricas de alimentos representam apenas 2% da população ativa. Tudo foi industrializado. Fabrica-se em série uma alimentação sem sabor, padronizada, anti-ecológica e freqüentemente perigosa para a saúde pública (vários escândalos o provam, entre os quais o da "vaca louca").

Pesquisar o bom produto, não o que vende mais

O futuro estará garantido apenas para homens e mulheres que produzam a comida por meio de técnicas compatíveis com os ritmos do planeta, revalorizando as técnicas antigas, respeitando a biodiversidade e as tradições gastronômicas estritamente ligadas à cultura e à economia de cada lugar do mundo. A ciência gastronômica - com seu conhecimento, seu respeito pela qualidade de vida e as diferenças culturais - deveria voltar-se a domínios compatíveis com as novas exigências ecológicas.
Colocar a ciência do prazer alimentar ao serviço de uma natureza preservada conduzirá o homem à produção da melhor alimentação possível. É uma aspiração tão legítima quanto natural. Mas não é levada em conta. Criamos uma produção que não pesquisa mais o bom produto, mas o mais comercializável. As características organolépticas dos alimentos foram degradadas, a variedade e a biodiversidade foram reduzidas. Emporcalhamos tudo, matando o solo, poluindo o ar, recorrendo demais aos transportes poluentes. Em lugar de acabar com o drama da fome no mundo, instalamos um sistema global desrespeitoso do trabalho de milhares de pessoas e socialmente criminoso.
Restabelecer os critérios de uma agricultura camponesa, a mais local possível, sazonal, natural, tradicional, constitui o começo de uma solução. Os seres humanos certamente devem nutrir-se, mas não às custas do equilíbrio do planeta. O gastrônomo e o consumidor não podem mais ignorar: mesmo que isso pareça engraçado, a escolha do que comemos orienta o mundo.
O movimento Slow Food baseou suas convicções na filosofia e abriu caminho para a construção de uma nova gastronomia. Propôs um programa de reeducação alimentar do gosto, com novos métodos, adaptados a todas as idades, na escola e no lazer. Organizou manifestações internacionais como o Salão do Gosto de Turim, que luta contra a uniformização da alimentação e apresenta produtores de qualidade. Elaborou cerca de 300 projetos particulares de proteção à biodiversidade e às antigas tradições de produção pelo mundo. Contribuiu, em 2004, na criação da primeira Universidade das Ciências Gastronômicas, situada em Pollenzo e Colorno, na Itália.
Esta nova concepção da gastronomia não é apenas uma idéia. Tornou-se um movimento social, que se associa ao protesto universal contra todas as formas de uniformização induzidas pela globalização e participa de todas as "reivindicações verdes" em prol de um meio-ambiente e uma ecologia preservados.
O verdadeiro motor do movimento são os quase 100 mil adeptos da Slow Foodligados aos produtores, camponeses, artesãos e pescadores que partilham dessas idéias e que trabalham e trocam conhecimentos por um futuro melhor.

Parte de uma nova cultura política

Muitos militantes políticos continuam até agora insensíveis aos conceitos da nova gastronomia. Exceto em eventos como o Fórum Social Mundial, onde os camponeses desempenham um papel crucial, a política em geral insiste em ignorar a complexidade do ato de comer. No entanto, por trás de cada alimento tradicional, saboroso e ecologicamente sustentável, há séculos de saber, de inteligência e de criatividade. Por que correr o risco de apagar tudo isso em nome do produtivismo?
Felizmente, a esperança vem das campanhas. Essa foi a razão da criação da "Terra Madre - encontro mundial de comunidades do alimento ", uma reunião que aconteceu pela primeira vez em Turim em outubro de 2004. Mais de 5 mil pessoas - entre camponeses, pescadores, nômades e artesãos - participaram, representando 1200 comunidades de alimentação de 130 países do mundo. Uma nova reunião aconteceu a cada dois anos desde então em Turim.
As comunidades de alimentação são grupos de indivíduos que trabalham em conjunto para produzir comida boa, ecologicamente limpa e respeitosa da justiça social. Sem "militantismo" ou apoio sindical ou partidário: os trabalhadores, portadores de uma experiência de lutas quotidianas, cooperam para sobreviver. A maioria pagou sua própria viagem, e o Slow Food garantiu a hospedagem dos "intelectuais da terra", que dão um senso novo à produção de comida. Sua reivindicação é extremamente política uma vez que ela remete ao mesmo tempo à dignidade, ao direito à soberania alimentar, e à liberdade de fazer seu próprio trabalho.
O projeto é de reafirmar estes objetivos. Os "intelectuais da terra" se reunirão comchefs de cozinha, homens e mulheres vindos dos quatro cantos do mundo, decididos a adotar produtos das comunidades de alimentação. Professores e universidades que tratam de assuntos ligados à alimentação, à revalorização dos saberes ancestrais, estarão amplamente representados, numa perspectiva de diálogo com os conhecimentos científicos modernos. A finalidade é valorizar todos os conhecimentos gastronômicos, no seu sentido mais amplo.
Uma vasta rede de produtores, pesquisadores, comerciantes, chefs de cozinha, camponeses e consumidores está prestes a nascer, graças a esta nova gastronomia, que concebe o ato de se alimentar como parte da produção. O consumidor torna-se um co-produtor. Porque de sua exigência gastronômica depende a qualidade do produto camponês.
Com "Terra Madre", foi criado um grupo transversal formado por "gastrônomos de um novo tipo", vindos de grandes e pequenas comunidades de alimentação, que se situam à margem das organizações políticas tradicionais. Trata-se de uma democracia dos humildes, afirmando-se pela maneira pela qual se alimentam, e que também pensam que um novo desenvolvimento é possível.
Longe de continuar sendo uma prática elitista, a gastronomia pode tornar-se uma ciência mais democrática. Por que a possibilidade de nutrir-se com produtos de qualidade, o prazer de saborear uma boa comida e a defesa da soberania alimentar devem ser direitos de todos.



Texto de Carlo Petrini, publicado no Le Monde Diplomatique . Tradução: Patrícia Andrade.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Jantando Pão de Malte

Minha Irmã Flávia acabou de voltar da Espanha, e trouxe com ela belos tipos de Jamon; E não tem nada melhor  para acompanhar a Receita de Pão de Malte que a Manu fez.
Fiquem babando mesmo por que ficou muito bom!


Para fazer igual você precisa de:
Pão de Malte da Manu,
Azeite extra virgem
Tomate
Jamon Serrano.

Pão e Cerveja!

Filipe Muniz

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Teste de Uma IPA harmonizada com um Frango de Leite na Cerveja e Lúpulo

Hoje é dia de...

Hoje tem cozinha do cervejeiro artesanal, passei 9 horas na Brassagem, 25 dias de espera, mas finalmente está pronta minha IPA. Para comemorar esta leva, botei meus pés na cozinha e preparei uma Receita especial para Harmonizar com minha Cerveja.
Na harmonização existe uma regra clássica: se você fez uma carne no Shiraz você pode estar certo que um Shiraz vai bem para acompanhar.
Segui esta regra a risca:

Para fazer o Frango de Leite na cerveja e Lúpulo você vai precisar de:



1 Frango inteiro com menos de 700g
1 Cebola pequena
2 dentes de alho
1 Cerveja Bem lupulada (ou uma Cerveja Clara + 2 pellets de lúpulo)
Tempero a gosto ( no meu caso: Alecrim, Tomilho, Salsa, Pimenta do Reino, Sal, 1 pellet de cascade)

Com o frango ainda congelado coloque em um saco de plástico com grau alimentício, junte todos os ingredientes e deixe marinando na geladeira durante 24 horas. Gosto de manter tudo gelado para evitar a proliferação da salmonela que vive na pele das Penosas.

Unte uma assadeira com azeite de Oliva. Disponha as cebolas da marinada como se fosse uma casa para deitar o frango e não queima-lo. Asse por 1'20'' a 220°C.

A cerveja para harmonizar foi uma do estilo IPA. por isto para acompanhar fiz uma arroz de Curry com cenouras.

IPA - India Pale Ale
Og 1.062
Fg 1.009
IBU 60 H. Tradition + Cascade
ABV 7%

Cerveja de corloração Vermelho Ambar, pouco cristalina, espuma branca, densa e de duração média. Aroma Herbal e cítrico do Cascade com amargor interessante que o estilo pede. Retrogosto com notas de biscoito, sobrepostas pelo soco de amargor que se mantem na boca por mais de 10 minutos.
A drinkability fica um pouco comprometida pelo ABV de 7% mas aquele amargo da boca sempre pede mais   um gole.
Se eu perguntar para um especialista talvez ele enquadre minha cerveja como uma Extra Special Bitter.

Defeitos: infelizmente algumas leves notas de Diacetil e um açúcar residual incomodo para o meu gosto.

Acertos: A dosagem do Primming de 7G/l ficou ideal para o estilo, DMS não notado, Oxidação imperceptível.

O frango ficou uma delícia!

Pão e Cerveja