Páginas

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Como Fazer Cerveja - Equipamentos - Densímetro

Prezados,

Seguindo nossa linha de posts sobre o equipamento necessário para fazer cerveja, vamos falar sobre o DENSÍMETRO. Ele não é necessariamente obrigatório para “fazer cerveja”, mas se você tiver interesse em saber se suas levas estão indo de acordo com o esperado, sua eficiência na brassagem, além da quantidade de álcool na sua breja você vai querer um.



Um densímetro nada mais é do que um instrumento para medir a densidade de um líquido. Quanto mais “viscoso” um líquido maior será sua densidade. Em inglês essa expressão é conhecida como “gravity”, ou gravidade. Por isso você vai ouvir falar muito em gravidade da cerveja ao invés de densidade. No final, são duas expressões para a mesma coisa.

Para usá-lo, basta colocar líquido suficiente na proveta para deixar o densímetro livre para flutuar. Coloca-se o instrumento e aufere-se onde ele parou, conforme a régua contida neste, conforme a foto ao lado.

A água tem a densidade específica de 1,000. Se você adicionar a essa água todo o açúcar extraído dos grãos a densidade da água vai subir. Quanto mais açúcar no liquido maior será sua gravidade.

A maioria dos densímetros foram ajustados para trabalhar a 16 graus centígrados. Sendo assim se você for medir a densidade do mosto enquanto este está quente será necessário ajustar o resultado. Para exemplificar, imagine verificar a gravidade do azeite. Quanto mais quente estiver azeite menos denso ele estará. Por outro lado, quanto mais frio maior sua densidade. Portanto, antes de você utilizar seu densímetro procure saber a qual temperatura ele foi ajustado.

São 3 os momentos importantes de se medir a gravidade do mosto. O primeiro momento é na extração do mosto e antes da fervura. Essa será sua SG, ou “specific gravity”. Essa medição servirá para verificar o aproveitamento de sua brassagem. John Palmer, em seu livro “How to Brew”, chama essa densidade de BG, ou “por boil gravity”.

O aproveitamento na brassagem, ou sua eficiência, vai depender do tipos de grãos que irá utilizar, pois cada grão possui uma quantidade máxima de açúcar que pode ser extraído. Vamos imaginar que você esteja utilizando um grão que permitirá ser extraído açúcar suficiente para elevar a gravidade do mosto para 1,050. No final da brassagem você mediu sua SG, ou BG, e constatou que conseguiu uma extração suficiente para 1,035. Dessa forma, numa regra três simples, percebe-se que sua eficiência foi de 70%, ou seja, você conseguiu extrair 70% de todo açúcar que o grão oferecia.

Uma eficiência entre 70 e 80% é o desejável para quem está começando. Essa eficiência vai depender de vários fatores que serão vistos em outros posts, como moagem, Ph da água, tempo de brassagem, temperatura, etc...

A segunda e a terceira medição vão ser importantes para medir a OG (original gravity) e a FG (final gravity). A OG é medida logo após a fervura do mosto e antes de inocular as leveduras. A OG vai indicar a quantidade de açúcar no mosto.

A medição da OG também é importante para determinar o fim da fermentação da mosto. Quando se inocula o fermento num mosto com açúcar, as leveduras vão se alimentar desse açúcar e transformá-lo em CO2 e álcool. Nesse primeiro momento esse CO2 é descartado. Assim, após alguns dias, quando você for fazer outra medição, notará que a gravidade diminuiu, pois o açúcar virou álcool e este é menos denso que a água.

Depois de alguns dias, quando a densidade parar em um determinado patamar, significará que a fermentação terminou e você terá o FG. Com a medição do FG e do OG será possível determinar o teor alcoólico por volume de sua cerveja.

Cheers!

Brassagem Coletiva

Prezados,

Neste sábado, dia 25 de setembro, a REC BREW fará outra brassagem aberta a quem quiser ver o processo de fabricação de cerveja caseira. Vai ser aqui no prédio, além de aprender a fazer a cerveja poderão degustar as levas que já fizemos (que estão uma delícia), comer uns petiscos e conversar sobre todo o processo de fabricação.

Estamos pedindo uma ajuda para comprar os petiscos, R$ 15,00 por pessoa.

Cheers

domingo, 19 de setembro de 2010

Cultura Cervejeira

Prezados,

Deparei-me com esses vídeos num grupo de email da Acerva SP falando sobre o início da cultura cervejeira.

Vale muito assistir essa reportagem para ver como esse mundo é delicioso. Nós da RECBREW estamos tendando, ao máximo, divulgar essa cultura de cervejas especiais.

Devirtam-se!



http://www.redeminas.tv/centro-de-midia/planeta-minas/cervejas-especiais-1
http://www.redeminas.tv/centro-de-midia/planeta-minas/cervejas-especiais-2
http://www.redeminas.tv/centro-de-midia/planeta-minas/cervejas-especiais-3

Cheers

sábado, 18 de setembro de 2010

Como Fazer Cerveja - Equipamentos - Filtros de mosto

EQUIPAMENTOS 3 – FILTROS DO MOSTO


Como falamos no post anterior, a casca do malte vai servir como um filtro natural na ajuda de separar o mosto (líquido) dos grãos. Porém precisamos de algo mais para esta tarefa, é ai que entram os filtros.

Quando comecei a preparar cerveja eu utilizava um saco de voile (grain bag). É um tecido sintético que agüenta o calor do fogo. Coloca-se os grãos no saco e então o leva para a panela com água na temperatura calculada. Ao término retira-se o saco com os grãos e coloca-se em outra panela, com água a 72 graus para “lavar” os grãos e extrair todo o açúcar.

O grain bag é bastante simples e fácil de utilizar. Entretanto você fica preso a uma rampa de temperatura simples, com apenas uma escala.

Os dois próximos métodos são os mais utilizados pelos homebrewers. O primeiro é a bazooka e o segundo é o fundo falso.

A bazooka nada mais é do que um cano com diversos furos ou malha de inox utilizado dentro da panela ou cooler. Na foto abaixo você pode verificar como a RECBREW faz uso deste equipamento dentro de um cooler. Usamos a malha de aço inox de uma mangueira de gás. Conectamos as pontas num conector em “T” que vai direto para a torneira.



Neste caso os pontos positivos são a facilidade do método e a despreocupação em manter a temperatura, uma vez que está dentro de um cooler fechado não há perda de calor. Os pontos negativos, além de ter de comprar um equipamento a mais, é que podemos fazer no máximo 2 rampas de temperatura.

Nós também temos a mesma bazooka montada numa panela. A parte positiva é que podemos efetuar várias rampas de temperatura e a economia de não ter que comprar o cooler. Porém você tem que tomar cuidado para a temperatura não baixar muito.

Estamos bastante satisfeitos com este equipamento de filtragem do mosto. Entretanto, se formos fazer uma leva maior, usando mais grãos, temos que ter cuidado com o peso sobre a bazooka, pois esta irá ceder e causar um stuck sparge.

Outra alternativa para separar o mosto dos grãos é o fundo falso, como este da foto:





Este método é também muito utilizado e muito eficiente. De certa maneira é barato e pode ser utilizado tanto na panela quanto num cooler. O problema é que se você utilizar o fogo diretamente na panela pode haver uma caramelização do mosto que está no fundo, pois mesmo você mexendo a colher não alcançará o fundo da panela, mas o fundo falso.

Existem outros métodos para a separação do mosto dos grãos, mas estes que relatei acima são os mais utilizados pelos cervejeiros caseiros.

Lembrem-se, qualquer dúvida estamos a disposição.

Cheers

Como Fazer Cerveja - Equipamentos - Moedor

EQUIPAMENTOS 2 - MOINHO OU MOEDOR


Como estamos falando em fazer cerveja partindo de grãos, ao invés de usar extrato de malte, teremos que moer o malte antes de efetuar a brassagem. Um bom aproveitamento dos grãos vai depender de uma boa moagem, portanto é importante fazê-lo da forma correta.

O mais importante é que você entenda que o malte deve ser quebrado, e não triturado. A casaca deve ser preservada o máximo possível por dois motivos: primeiro porque servirá de um filtro natural, evitando que os grãos se compactem e ocorra um entupimento (stuck sparge) na extração do mosto.

O segundo motivo é que a casca pode contribuir com taninos, o que resultaria com um gosto adstringente no produto final, ou seja, na cerveja.

Dessa forma, deve-se ajustar o moinho para que quebre a parte de dentro do malte mas preserve a casca. O grão também não pode ficar muito fino para que se evite o stuck sparge, por isso nunca, veja bem NUNCA, use um liquidificador para moer os grãos.

Existe alguns tipos de moedores que são usados para malte de cevada. Talvez o mais usado seja o CORONA, um moedor de placas ajustáveis. Existem várias fotos para esse tipo de moedor na internet, que podem ser vistos através do site abaixo:

http://www.google.com.br/images?q=corona%20mill&oe=utf-8&rls=org.mozilla:en-US:official&client=firefox-a&um=1&ie=UTF-8&source=og&sa=N&hl=pt-BR&tab=wi&biw=1280&bih=647

Como pode ser visto através das fotos do link, o Corona Mill pode ser adaptado para melhor servir ao cervejeiro caseiro. É provavelmente o de melhor custo benefício e o que nós, da RECBREW, utilizamos.

Entretanto, o moedor mais aclamado no mundo cervejeiro é o moedor de rolos. Esse moedores existem com 1, 2 ou 3 rolos que são ajustáveis para um melhor aproveitamento do malte. Esses são bem mais caros e mais fáceis de ser encontrados em lojas do exterior, como no link abaixo:

http://www.beersmith.com/barley_crusher.htm

Esse moedor é fantástico, tive a oportunidade de utilizá-lo enquanto morava nos EUA. Colocávamos uma furadeira para ajudar na moagem, com isso a moagem levava apenas poucos minutos.

Novamente lembramos que o importante é ver o melhor equipamento para sua situação, as vezes começar com o mais barato é melhor do que com o mais caro, que pode ser adquirido num segundo momento.

Cheers

domingo, 12 de setembro de 2010

Como Fazer Cerveja - Equipamentos

Prezados,

Nós da REC BREW vamos começar a escrever alguns posts sobre a fabricação de cerveja em casa, passando desde os equipamentos, insumos até algumas técnicas. Nosso objetivo é difundir cada vez mais a cultura cervejeira e assim atrair novos colegas para esse ambiente.

EQUIPAMENTOS – Parte 1

Num primeiro momento vamos tratar dos equipamentos indispensáveis para a fabricação da cerveja. Lembrando sempre que esses equipamentos podem variar de acordo com a região em que a pessoa está, sua cozinha, clima, etc.

Aqui estamos imaginando que você não tenha problemas com a temperatura externa, vai utilizar a cozinha de sua casa, afinal você não quer investir tanto logo no começo, e vai fazer uma receita “all grain” para 20 litros de cerveja.

Sendo assim você vai precisar de:

02 panelas de pelo menos 20 litros cada, com extratores;
01 panela de 30 a 35 litros, com extrator;
01 equipamento para separar os grãos moídos do mosto (bazooka, fundo falso, etc);
01 moinho (ou moedor) para os grãos;
01 densímetro
01 proveta
01 termômetro
02 metros de mangueira atóxica
01 balde de plástico atóxico (alimentício) de pelo menos 24 litros, com tampa
01 airlock (pode ser improvisado)
35 garrafas de 600 ml
35 tampinhas
01 máquina para tampar
01 liquido sanitizante (iodofor, paracético.... não utilizar água sanitária)

Existem alguns equipamentos que não são essenciais, porém facilitam muito a vida do cervejeiro caseiro, aqui segue uma lista, alguns itens são simples e fáceis de encontrar

01 escumadeira em alumínio ou inox de uns 15 cm de circunferência;
01 chiller (imersão, contra fluxo....)
01 balde atóxico com extrator (balde extra)
01 iodo (diferente do iodofor esse é comprado em farmácias)
Filme plástico ou alumínio
01 medidor de Ph (fitas ou máquinas)
01 jarra plástica com medidores na lateral
01 colher de plástico atóxico
01 grain bag

O primeiro item que vamos falar e o qual você tem que se preocupar são as panelas. Você precisará de pelo menos três. A primeira terá a função de esquentar a água para a brassagem, para esta tarefa uma panela de 20 litros é suficiente. A segunda panela receberá os grãos já moídos para efetuar a brassagem, essa outra também pode ter a capacidade de 20 litros e seu equipamento para separar os grãos do mosto deve estar montado nesta panela. A terceira, e última, tem que ser um pouco maior, entre 30 e 35 litros e servirá para ferver o mosto.

Lembrando que você terá que esquentar água mais de uma vez para começar a brassagem e num segundo momento para “lavar” os grãos. Neste último momento você estará utilizando as três panelas ao mesmo tempo.

As panelas precisam ter extratores. Nós aconselhamos utilizar um de pelo menos meia polegada para ajudar a vazão e evitar entupimentos. Aqui temos uma foto de parte do equipamento para dar uma idéia. Você ainda vai precisar de uma arroela, um cotovelo e um anel de silicone que segure alta temperatura.





Nos próximos posts vamos comentar sobre outra peças do equipamento. Qualquer dúvida é só entrar em contato conosco.

Cheers!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O Milagre Chinês


Fazer uma leva Chinesa foi um dos maiores desafios que tive até o momento. Tudo começou quando 2 grandes amigos que fiz em Qingdao, Thomas (alemão) e Bryan (italiano) souberam que eu tinha experiência nesta arte. Eles acharam interessante e queriam participar de uma leva.

O primeiro desafio foi encontrar insumos e equipamentos na China. Fiz uma pequena lista do material que seria necessário para fazer uma leva. Faríamos na casa de Thomas, no fogão caseiro mesmo. Para fermentadores poderíamos utilizar os garrafões de água, eu havia trazido comigo alguns equipamentos pequenos, como hop bag e grain bag, além de um sifão. Impossível! Simplesmente não havia um fornecedor chinês de insumos. Pelo menos não em pequena escala.

As panelas seriam fornecidas por um amigo, dono de um restaurante italiano, que dividia apartamento com Thomas. Eu avisei que precisaríamos de duas panelas grandes. O restante do equipamento era simplesmente impossível de encontrar, insumos então... esqueça.

Falei com os dois que seria muito difícil. Entretanto Thomas, que iria fazer uma viagem de negócios a Recife, se prontificou a trazer todos os insumos do Brasil. Com a notícia, fiz uma receita básica de uma APA. Utilizaria maltes pale ale, caraamber e carared, para lúpulos pedi um saquinho de cascade e o fermento escolhido foi o US-05 (seco) além de whirfloc, comprei tudo na turma e pedi para ser entregue na casa de uma amiga, que se encarregou de entregar tudo a Thomas.

Tive algumas preocupações com essa “loucura”. Primeiro seria o tempo em que o lúpulo e o fermento ficariam longe do refrigerador (3 dias). A segunda preocupação foi com relação a alfândega na chegada, pois Thomas estaria trazendo uma carga viva (fermento) e grãos, o que, supostamente, necessitaria de uma anuência do governo local. Principalmente aqui na China.

Entretanto, tudo deu certo. Ou melhor, quase tudo. Um dos sacos de grãos se rompeu na viagem e perdemos cerca de 1 kg de pale ale. Para compensar a falta teria que adicionar um pouco de açúcar para poder atingir a OG necessária.

Fiquei tão feliz com a possibilidade de voltar a fazer uma brassagem após quase 6 meses “em branco” que não pensei num detalhe, como moer os grãos. Dois dias antes da data marcada para a brassagem rodei a cidade atrás de um moedor que pudesse fazer o serviço. Tudo em vão. A única coisa que encontrei foi um moedor de alho, feito de plástico e muito pequeno. Tinha que servir!

Um dia antes comecei a moer os grãos e constatei que o moedor iria servir, mas demoraria um bom tempo para concluir o serviço. Por isso comprei dois pilões de pedra para que pudéssemos quebrar os grãos. No hora marcada para a brassagem eu ainda não tinha conseguido moer nem a metade dos grãos. Entreguei um pilão para Thomas e outro para Bryan. Demoramos ainda umas 3 horas para finalizar o serviço. Tudo regado a Tsingdao a marca de cerveja mais famosa da China, mas que tem a qualidade de uma “ambeviana”, ou seja, refrescante mas não satisfaz.

Terminada a primeira etapa colocamos os grãos dentro da bolsa e começamos a brassagem. Quando eu disse a Thomas que precisava de uma panela grande ele exagerou um pouco e trouxe uma de 200 litros. Ou seja, a água para a brassagem, cerca de 12 litros, quando colocamos na panela ficava na altura de um dedo. Resultado, fizemos a brassagem em 3 panelas menores, quando tudo estava pronto usamos o grain bag como um filtro para o mosto que jogamos dentro da panela grande.

Como a panela era muito grande e estávamos utilizando um fogão doméstico só conseguimos a fervura com a panela fechada. Neste ponto eu já não estava mais preocupado com DMS, “se esta cerveja saísse já seria um milagre”, era meu pensamento.

Terminada a fervura tivemos que passar o mosto, ainda quente, para duas panelas menores, assim poderíamos colocar o gelo na panela grande. Com o gelo na panela grande colocamos as panelas em banho Maria para efetuar o resfriamento do mosto. Mais uma vez, sabia o problema que isso poderia causar, mas nesse ponto.....

Ativamos o fermento e jogamos dentro de dois garrafões de água. Improvisamos os airlocks e deixamos num quarto que não era utilizado na casa de Thomas. Como a temperatura estava em torno de 20 graus na cidade seria uma preocupação a menos.

Para minha surpresa a fermentação ocorria a passos largos e a cerveja tinha um vermelho profundo muito bonito. Fizemos a maturação na garrafa mesmo, pois Bryan iria viajar e tivemos que acelerar o processo. Utilizamos garrafas plásticas de 500 ml de água.

Uma semana depois de engarrafada a cerveja colocamos as garrafas para gelar e convidamos os amigos para experimentar. Antes porém compramos umas cervejas para poder ter certeza de que beberíamos algo aquela noite.

Para minha surpresa a cerveja estava bem agradável. Com um aroma peculiar do cascade e um sabor balanceado do malte.

Foi um verdadeiro milagre chinês!

Cheers.